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Maurício Vilas Boas fala para o Bahia Notícias

Maurício Vilas Boas fala para o Bahia Notícias

7 de fevereiro de 2013

 

                                       bahianoticias

O jovem Engenheiro Maurício Vilas Boas já é proprietário da Drytech, empresa que presta o serviço conhecido por Drywall (“muro seco”, em livre tradução). O novo modelo de inserção de paredes em ambientes residenciais e comerciais está a surgir como alternativa ao tradicional concreto, trazendo mais rapidez e praticidade durante a obra, e também após sua conclusão. Em entrevista à Coluna Mercado, Vilas Boas explicou como o sistema em gesso pode ser útil em salas, espaços abertos e até mesmo em apartamentos e sua gradual aceitação no mercado baiano. O jovem empreendedor também nos contou sua receita para começar um negócio próprio na idade em que muitos estão iniciando suas carreiras.

Bahia Notícias – Qual sua formação e como você chegou na Drytech.
Maurício Vilas Boas – Eu sou estudante de Engenharia Civil, me formo no final do semestre. Serei engenheiro daqui a dois meses, se der tudo certo, e cheguei na Drytech com a experiência que adquiri na Multiplac, uma outra empresa na qual eu era sócio. Saí de lá e resolvi montar uma empresa, pois já tinha conhecimento e conhecia o pessoal do ramo.

BN – Muita gente ainda não sabe o que é o Drywall. Explique para o leigo.
MVB – Na verdade, quem não sabe o que é o Drywall é quem não é ligado à construção civil. Na construção civil já é um item que está ganhando popularidade a cada dia que passa. O Drywall é um sistema de construção seca, que não usa água para construir, não tem cimento, não tem tijolo, não tem bloco. Ele é feito com chapa de gesso acartonado. É um sistema muito leve, que tira peso da carga do prédio, ou seja, economiza muito em estrutura e é um sistema muito versátil, em que posso modificar as plantas de várias formas. E é rápido de construir, com a perda de material mínimo e uma mão de obra especializada.

BN – O Drywall seria o mais indicado para reformas em imóveis?
MVB – Na verdade ele pode ser feito em qualquer etapa da construção. Mas, por exemplo, mesmo um edifício com 20 anos de construído, se você quiser dividir uma sala no meio, você constrói o drywall e em poucos minutos está tudo pronto, sem sujeira, sem correr risco em relação à carga, por ser uma parede muito leve. O Drywall pesa cinco ou seis vezes menos que uma parede comum de alvenaria, então você pode colocar ela sem sobrecarregar a laje, o que o faz ser muito mais indicado nesse tipo que você citou.

BN – Mas a mão de obra é mais cara…
MVB – Sim. É uma mão de obra especializada. Por ser uma coisa específica, não há oferta muito grande em mão de obra. A gente capacita os profissionais ou usa os profissionais já capacitados no mercado por um preço um pouco superior. Assim como o preço do metro quadrado também encarece, uma vez que ela tem muitas vantagens e benefícios em relação à alvenaria comum. Basta dizer que é o sistema de construção mais utilizado na Europa e nos Estados Unidos.

BN – O que um técnico em Drywall precisar ter a mais do que um técnico de alvenaria comum?
MVB – Precisa ter o conhecimento específico na sua área e tem que conhecer a outra área também. Tem que saber o que uma pessoa de alvenaria sabe e agregar conhecimentos do Drywall, porque os dois estão interligados, então você não faz um drywall sem ter conhecimento de outras áreas.

BN – E no mercado baiano, tem muita gente capacitada?
MVB – Tem muita gente capacitada, mas não atende a demanda, assim como todo segmento da construção civil. Com o “boom” da construção, os profissionais não se capacitaram a tempo de acompanhar essa evolução. Então, tem muita gente se capacitando agora, mas a mão de obra do Drywall ainda é carente aqui em Salvador.

BN – E como reverter essa carência de mão de obra, ainda mais em um setor especializado?
MVB – Temos que contornar esses problemas. Inclusive, eu capacito funcionários, algumas outras empresas também fazem treinamento. A tendência é não mais trazer gente de fora, porque há custos extras como moradia, alimentação, deslocamento, e isso as vezes inviabiliza uma obra, então o interessante é ter uma mão de obra local.

BN – Sua empresa é bastante nova… Como ela funciona? Com quantos funcionários você chega a trabalhar?
MVB – Na empresa há os cargos administrativos, de quem trabalha no escritório e faz contato com os contadores, eu faço a parte comercial, há os encarregados de obras – um encarregado a cada obra -, e o pessoal de campo, que são divididos em duas classes: os montadores e os ajudantes de montadores. A quantidade de funcionários varia de acordo com a quantidade de obras que se tem no momento. Nesse momento, eu tenho 24 funcionários trabalhando, mas no mês que vem eu poderei ter 40 ou 10, tudo vai depender do meu volume de obras.

BN – São terceirizados ou da própria empresa?
MVB – Da própria empresa.

BN – O volume de obras durante as construções ocupa todo o tempo dos funcionários ou em algum momento eles ficam ociosos?
MVB – Se eles ficarem ociosos, é por culpa do contratante que às vezes não libera o campo de trabalho, e aí é preciso parar de produzir. Mas quando a gente entra para trabalhar, ao terminar o serviço, eles recebem em esquema de produção. Se um dia ele produz 100 metros quadrados, ele vai ganhar o proporcional aos 100 metros quadrados. Se produzir 2 metros quadrados, vai ganhar o proporcional a dois.

BN – Sendo a mão de obra mais cara, qual a vantagem para o contratante?
MVB – O cliente economiza na velocidade do processo, no baixo desperdício e no alívio de carga na laje, que é você construir uma parede mais leve. Uma estrutura robusta acaba ficando mais cara no final.

BN – Acaba saindo mais barato?
MVB – Tudo depende do volume, da necessidade, de uma série de fatores. Mas geralmente o Drywall tem um metro quadrado mais caro, mas seu custo indireto é bem menor. Economiza-se com transporte, alimentação e processos trabalhistas, porque têm muito menos funcionários na obra. Há também facilidade para fazer a manutenção, pois não é necessário quebrar a parede para depois refazer a parede ao consertar a parte elétrica ou hidráulica, então o pós dele vai se pagando.

BN – E qual a vantagem quanto à manutenção da rede elétrica e hidráulica?
MVB -Você vai ter muito menos sujeira, não precisará quebrar a parede para ter que reconstruir, além do que você só vai precisar de um estilete e uma chave de fenda. Só com isso é possível se fazer, enquanto na alvenaria comum é preciso quebrar a parede, trocar e depois refazer a parede toda.

BN – E quanto à acústica? No drywall as pessoas têm mais facilidade para ouvir o que acontece do outro lado da parede?
MVB – A depender da forma que você use sim, mas para isso a gente tem como saber o nível de isolamento acústico ou de tratamento acústico, a depender do que o cliente deseja fazer. Há soluções como lã de vidro em estrutura dupla para fazer a parede ganhar melhor isolamento. Inclusive a Multiplac executou o cinema do Multiplex Iguatemi, que é todo revestido de Drywall e não há como ouvir nada do lado de fora. A técnica usada dentro dele foi lã de vidro com duas chapas de cada lado.

BN – Essa questão da acústica é uma exigência de muitos clientes?
MVB – Geralmente se preocupam, mas há clientes que não. Por exemplo, quem trabalha em um escritório com cinco divisórias não se importa. Mas se for o leito de um hospital, a acústica é importante, e o cuidado com a acústica encarece o serviço. Mas tem suas vantagens.

BN – A estrutura externa do edifício pode ser feita em Drywall?
MVB – Não. Para edifícios de até quatro pavimentos pode ser usado o Steel Frame, que é um sistema que funciona com o mesmo princípio do Drywall, porém, a matéria prima principal de suas chapas é o cimento, e não o gesso. E possui estrutura metálica mais robusta. Também trabalhamos com isso.

BN – Como anda a busca por Drywall no Brasil?
MVB – O “boom” do Drywall no Brasil começou há cerca de dez anos. Já se conhece há uns 20 anos, mas começou a ser mais usado há 10, e a cada ano que passa o crescimento é exponencial mesmo. Teve ano com taxa de crescimento de 20%. As empresas e fábricas não têm conseguido suprir a demanda, por isso elas estão dobrando suas plantas de fábrica, estão vindo outras marcas fora do Brasil… Hoje em dia já tem quatro grandes fabricantes aqui no Brasil, o que há 10 anos não existia. E outras estão vindo até para a Bahia. Em cerca de um ano terão duas marcas de Stell Frame e Drywall trabalhando para atender o mercado do Nordeste.

BN – Apesar de relativamente novo, você já começou a emprender um serviço novo no mercado baiano. Como foi a ideia de ser empreendedor? Qual conselho você daria para outras pessoas de sua idade que têm esse propósito?
MVB – Eu fui chamado por um amigo que trabalhava na empresa em que eu trabalhava antes para montar uma sociedade com ele e reativar a empresa. Então a gente adquiriu conhecimento ali para conhecer o mercado, viu que era um mercado atraente e eu decidi por abrir a minha. Foi uma coisa que eu já estava engajado no meio e vi uma oportunidade e quis fazer. Com relação ao incentivo, sempre fui incentivado pela família, pelos amigos também. Já não é o primeiro negócio que eu abro, já vendi pizza no passado. Em eventos, festas como Trivela, Festival de Verão, EvaNave… Então, sempre gostei da área de empreendedorismo e quanto ao incentivo, é preciso acreditar na ideia, fazer por onde e não achar que é fácil. No início é trabalhoso mas depois você é recompensado.

Matéria: Bahia Notícias